
A desesperada necessidade de tornar válida a existência. Esse sentimento que grita dentro de toda a nossa geração, acredito que mais do que em qualquer outra. A sociedade vem nos transmitindo tantos ideais, tantas informações, tudo na velocidade máxima, fazendo com que a vida diária seja sem graça. E é neste momento que corremos ao máximo ou paralisamos totalmente por um momento ou por algo que não existe: o futuro. Há aqueles que procuram em meios alternativos viver o agora. Mas o grande questionamento que sempre reverbera é "qual é o propósito disso tudo?".
Sempre me pego refletindo o quanto a existência individual é frágil e pequena. Quase que insignificante. Ou totalmente desprezível se comparada a grandeza da coletividade, esta que foi e está sendo construída ao decorrer de milênios. Porém a medíocre vida individual tem a capacidade de mudar toda uma coletividade. Vemos isso sendo representado nos grandes representantes dos poderes ou naqueles que por egoísmo se sentem capazes de controlar a vida do outro. E apesar de todas essas influências, tudo pode acabar com um leve sopro do universo.
A grande questão é que estamos aqui. Sendo pequenos e ao mesmo tempo gigantes, com o controle das nossas escolhas e sem o controle de seus resultados. E é o nosso instinto continuar insistindo em procurar um propósito, uma missão ou um caminho. Talvez em algum outro plano isso chegue ao fim ou talvez nós continuamos a pairar na leveza de existir. E no instante presente buscamos a independência em um mundo em que toma o nosso poder de escolha diariamente.

E é sobre essa constante busca que os filmes "Frances Ha" e "Dançando em Silêncio" retrata lindamente. Onde o erro e o fracasso fazem parte do cotidiano que é mostrado da forma mais simples e real possível. O silêncio faz parte das cenas constantemente com a finalidade de mostrar a solidão que reside internamente e externamente na vida das personagens que caminham pela frustração em busca de seus objetivos de vida. A trilha sonora e a dança ajudam em mostrar que todos esses questionamentos existenciais no final das contas são essenciais para o aprendizado individual.
Chego a conclusão de que a individualidade é muito intimista mesmo, e o que devemos buscar é a melhor maneira de expressá-la para sermos capazes de construir uma coletividade cada vez mais acolhedora. E de fato, nem sempre vamos ter consciência de todas as mudanças e de todos os seus reflexos. O peso de viver faz parte, mas a leveza também deve fazer.




