30 de junho de 2018

fragmentos

depois de tantos blogs abandonados, eu voltei com esse. o motivo? a verdade é que estou meio perdida. e quando estamos assim procuramos algo que conhecemos. criar um blog é uma das metas que escrevi na primeira semana desse ano. e eu já tinha até riscado ela do caderno porque não fazia mais sentido para mim, mas tudo mudou quando fiquei sem celular durante uma semana de greve. sem comunicação nenhuma voltei a ler blogs que abandonei graças a correria do mundo e as notícias rápidas das redes sociais. e percebi o quanto ler aqueles textos era bom. e o quanto eu gostava de escrever sobre como foi o meu dia. meio que um diário, sabe? e aí surgiu o blog. fragmentos foi o nome escolhido porque tem muito haver com a fase que estou vivendo. fragmentos porque é isso que eu sou. fragmentos de um caos. fragmentos de todos que me cercam e já passaram por mim.

fragmentos perdidos por aí tentando formar alguma coisa.

17 de junho de 2018

Relaxa, ainda tá cedo

                 
    
Imagem: Jay Mantri

a frase que mais tenho escutado é "relaxa, ainda tá cedo". mas a ansiedade que ainda mora no quarto dos fundos ainda respira. e eu ainda surto. surto quando não sei o que fazer. quando não faço nada que gostaria de ter feito. surto só de pensar no meu futuro e não ter um plano detalhado de vida que inclua onde e quando vou morar em tal local. é o medo que me paralisa. é a necessidade de fazer algo. que na maioria das vezes nem era o meu verdadeiro desejo. dias festivos e viagens ainda me tiram o sono. acordar e não saber o que vou fazer me angustia. não ter um roteiro me paralisa. e eu sigo tentando curar essas feridas. uma dor latente. aconchegante. na maioria do tempo sigo metendo os dedos nelas. observando o sangue descer. sigo a vida curtindo o ato de não fazer nada. curtindo o momento. deixando tudo fluir. mas as vezes a ansiedade abre a porta do quartinho. e não ter controle sobre o futuro te assusta. e esse medo te esmaga. por outro lado você já adquiriu alguns hábitos pra lidar com eles. você escreve. você coloca aquela playlist do spotify. você borda. sai pra correr. toma sol. você vai aprendendo a estar em paz com suas escolhas e com você. mas falta, falta muito. falta a casa com suculentas até o teto. falta a parede cheia de quadros. falta dormir cedo. falta deixar de comer carne. falta a yoga toda semana. falta entender totalmente que a vida é um ciclo. que a vida está em constante movimento. e é insano tentar tomar conta de tudo isso. não há possibilidade. doi. mas passa. tudo passa. e tá tudo bem. 

16 de junho de 2018

O que fazer em dias inúteis?

Imagem: Jay Mantri
dois minutos depois de apertar o botão publicar do outro post me veio uma luz. dias "inúteis" tem lados bons. escreva textos sem nexos igual a esse. bote pra fora o que te angustia. de qualquer forma. escrevendo, dormindo, gritando, chorando. ou apenas fique olhando pro teto e veja como ele pode ser bonito ou feio(depende de você). eu acabei de escrever dois textos que no momento estou achando loucura. mas foi a maneira que achei de liberar um por cento de toda essa tensão e cobrança de ter um dia produtivo. isso me faz perceber o porquê de ter desistido dos outros blogs, em todos cheguei em um momento que eu não conseguia escrever nada que me agradasse, nada "útil" ao meu ver. mas agora eu tenho a consciência que o blog para mim antes de ser um local que quero compartilhar informações, uma maneira de tentar mudar esse caos, ele é um válvula de escape. o blog é sobre mim. é sobre quem eu sou. e no momento eu sou essa confusão. ou "estou" essa confusão.

Um dia inútil

Imagem: Jay Mantri
há quase duas horas estou parada em frente a tela luminosa do computador, abrindo e fechando guias, lendo textos até a metade e criando posts sem final. estou em um daqueles dias nublados onde a ansiedade toma conta do seu corpo e você não consegue terminar uma simples tarefa. quando sua mete gira sem parar querendo fazer todas as coisas do mundo ao mesmo tempo. um labirinto sem fim e cheios de armadilhas. estou na sexta linha deste texto pensando em apaga-lo simplesmente por não me sentir suficiente para fazer nada útil hoje. aceitar que hoje realmente não é um dia útil? ou continuar insistindo? e o que é um dia útil? ouvi dizer que esse sentimento se chama sindrome do impostor: um sentimento que nos faz pensar que somos burros e incompetentes, e que quando conseguimos alcançar nossos objetivos, na verdade estamos enganando as pessoas e um dia seremos descobertos. e na verdade, é basicamente isso que sentimos diariamente. as responsabilidades bate na minha porta todo santo dia. e eu continuo aqui andando em cima de uma corda bamba. e se eu não for capaz para fazer o que eu amo? e se eu estiver enganando as pessoas? ou pior a mim mesma? o que eu amo? o próprio blog é um reflexo disso, acho que esse é o quinto blog que crio e todos os outros abandonei pela metade. tem fases da vida que a gente vê que algumas coisas não fazem mais sentido e deixa de canto. outras fases queremos insistir até a morte. é natural do ser humano. e o pior de tudo é aceitar e admitir que não estamos bem vinte quatro horas por dia. e hoje é um desses dias que não me sinto capaz de assistir um simples vídeo. e a cada minuto que passa me culpo mais por não conseguir fazer nada. estou na décima quinta linha deste texto e não vejo sentido algum nesse texto. mas afinal, alguma coisa faz sentido?

3 de junho de 2018

Quem foi que disse que é preciso ser?

Imagem: Jay Mantri


todo dia
me perguntam
de vez em quando diretamente
sempre indiretamente:
quem eu sou

eis que surge
a ansiedade incontrolável de
achar o mais rápido
uma resposta para esse questionamento
como se isso valesse a vida

me reviro
tentando encontrar em algum
lugar perdido
uma palavra ou até meia
que responda
quem eu sou

procurei em todas as esquinas
noite e dia
li e reli aqueles livros da estantes
fui procurar até
em outros seres
mas nada me diz
quem eu sou

essa pergunta sem resposta
me traz mais dor de cabeça
do que o x da função
e de tanto procurar uma resposta
surge uma pergunta
quem foi que disse que é preciso ser?

1 de junho de 2018

Bordado Livre: o início dessa história de amor


Em meio há uma fase turbulenta no início de 2017 eu decidi procurar novamente um refugio na arte. Procurei em vários sites e locais por algo que tinha me encantado e para mim era e ainda é inovador:
o bordado livre. Até que depois de semanas recebi uma mensagem de uma colega me dizendo que teria um curso na semana seguinte. E na semana seguinte lá estava eu sentada em uma mesinha com mais algumas mulheres incríveis em um lugar super aconchegante: a 
Cuco-Espaço Colaborativo.



E depois de três sábados construindo e aperfeiçoando os pontos, surgiu o meu primeiro bordado que por brincadeira do destino representava fases.
Eu fico pensando como pequenos detalhes fazem toda a diferença na imagem que temos de algo. O carinho que transbordava das pessoas e do local, as diferentes idades e personalidades conversando e buscando sobre algo em comum: uma válvula. Lembro que a tarde estava ensolarada e foi recheada por comidas, boas indicações de séries, aprendizado e afeto. 




Hoje eu tenho certeza que conhecer essa arte que sempre admirei, mas de um maneira nova foi uma das melhores decisões que tomei. O bordado pra mim é tão delicado, e ao mesmo tempo tem tanta força. Bordado é cuidado, paciência, amor. E em tempos que vivemos correndo pra cima e pra baixo sem perceber nada que está a nossa volta, desacelerar um pouco e fazer algo tão belo foi aliviante. 

  

O bordado me ensinou tantas coisas, com ele eu pude ser capaz de ter paciência comigo mesmo, pude me perdoar e recomeçar, percebi que a beleza está nos erros e em como aprendemos com ele, percebi que não há nada mais gratificante do que fazer algo que gosta ao lado de quem gosta. E foi maravilhoso ter a oportunidade de dar forma e relevo a um desenho que eu mesma desenhei em outra fase. O bordado veio para me mostrar que somos capazes de florescer sim, quantas vezes quisermos.
   


Para finalizar esse post, quero agradecer uma mulher que admiro muito pela força e delicadeza. E que me ensinou os primeiros pontos de bordado com muita paciência e que é dona da incrível loja Ri-sério.

Aproveite também para conhecer mais sobre o meu trabalho com o bordado e outros experimentos no perfil Atelie Grata.

3 em 1: Capitão Fantástico, El Empleo e Karl Marx

 Imagem: Jay Mantri

Este é o primeiro post da série "3 em 1" que tem como objetivo trazer três referências com um tema geral. No post de hoje eu trouxe o filme do diretor Matt Ross "Capitão Fantástico", o curta do diretor e ilustrador Santiago Grasso "El Empleo", e o conceito de alienação de Karl Marx que pode ser estudado no livro Manuscritos Econômico-Filosóficos. As três referências crítica a relação atual entre pessoa-emprego e como a tecnologia influencia nessa relação.

Imagem retirada do site:Adoro Cinema
O filme Capitão Fantástico retrata o reflexo das transformações sociais que a revolução industrial e tecnológica proporcionou com a proliferação de informações e com a aceleração do ritmo de vida. Os meios de comunicação como a televisão e a internet tem influenciado nossas opiniões e ações sore todas as áreas de nossas vidas.

O uso desenfreado dos meios de comunicação te transformado as pessoas, principalmente os jovens em seres "alienados", sendo instigados ao consumo excessivo. Isolados em um mundo virtual com informações sendo processadas rapidamente, engolindo opiniões sem se perguntar a veracidade e o contexto.


Os personagens do filme são independentes, auto-ditadas, produzem o seu próprio alimento e roupas vivendo em um ambiente isolado do centro urbano. Apesar da diferença do contexto, o filme e o curta discutem a sociedade capitalista atual.



Imagem retirada do site: Cinema é a minha praia
O curta El Empleo mostra a vida urbana de trabalhadores nos lembrando como somos dependentes do trabalho de outras pessoas e como nos tornamos distantes em relação ao que produzimos. O personagem principal está entristecido com seu trabalho e preso em sua rotina. Retrata a realidade que vivemos: não nos vemos representados em nossos trabalhos ou escola para comprarmos produtos quem nem sempre nos é necessário.


Imagem retirada do site: Amazon
Segundo Marx, o trabalho é a exteriorização do ser. Somos capazes de modificar o ambiente de acordo com o que idealizamos produzindo nossas próprias ferramentas de produção. Para Marx, o principal papel social do ser humano é o trabalho e é isso que nos difere de qualquer outro animal. Quando esse trabalho não é reconhecido surge a alienação. Marx retrata a alienação ao produto do trabalhador. O trabalhador não se reconhece no produto final e só o que resta é exigir o salário no final do mês. Neste estágio, o trabalhador só se satisfaz com suas necessidades básicas, mas é completamente insatisfeito com sua vida negando sua essência humana tornando-se solitário.

Tem alguma referência sobre o tema? Sugestão? Nos envie.