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| Imagem autoral |
hoje eu acordei com essa saudade que dói o peito. e chega pra ficar. saudade daquela casinha que eu ajudei a pintar de verde. de ficar sentada na calçada jogando pedras pro alto para ver quem pegava primeiro. de quebrar coquinhos e ganhar doce na venda. de observar os carros passando pela janela. de se esconder atrás do sofá e fazer o primo imitar um radialista com aquela voz grossa e logo depois comer miojo com tudo o que tinha na geladeira. de jogar aquelas cartas que tinha escrito as raças dos bois. e escutar a tia proseando e transbordando carinho. no finalzinho de tarde sentar embaixo do umbuzeiro e ver o sol se pôr. quem dera voltar no tempo e morar no aconchego daquela casinha verde.
*Este texto faz parte da série textos antigos onde coleciono textos de fundo de caderno e guardanapos criados na correria do dia-a-dia.


